Crianças que colecionam sintomas obsessivos compulsivos

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é uma doença ligada à ansiedade que, como o próprio nome diz, é caracterizada pela presença de sintomas obsessivo-compulsivos.

As obsessões correspondem aos pensamentos que invadem a mente da pessoa de forma recorrente; geralmente são desagradáveis e até mesmo repulsivos. Mesmo que a pessoa tente eliminar esses pensamentos da sua cabeça, ela não consegue. As obsessões mais comuns estão ligadas à preocupação com simetria, ordem ou alinhamento; dúvidas; sujeira ou contaminação; impulsos de agredir outras pessoas; comportamento sexual violento ou impróprio; preocupação em guardar coisas inúteis; superstições; preocupação com cores de roupa, números, datas ou horários; palavras indesejáveis.

As compulsões referem-se aos comportamentos ou atos mentais repetitivos e voluntários; são realizadas para diminuir a ansiedade ou a aflição que acompanham as obsessões. As compulsões mais comuns são: de lavagem ou limpeza, verificações ou controle, repetições ou confirmações, contagens, colecionismo, compulsões mentais (rezar, repetir palavras, frases, números), tocar, olhar, bater de leve ou estalar os dedos.

E as crianças? Elas podem ser portadoras do transtorno obsessivo-compulsivo?

Sim! Embora geralmente comece na adolescência ou no início da idade adulta (entre 18 e 24 anos), o TOC também pode ter início na infância. Por isso, é importante que os pais fiquem atentos a qualquer alteração de comportamento de seus filhos, principalmente porque várias pesquisas demonstram que o tratamento precoce pode minimizar o sofrimento e os prejuízos trazidos por essa doença. Essa doença não tem cura, mas tem controle, ou seja, o tratamento adequado pode ensinar a criança a conviver e lidar melhor com essa doença.

Os pais devem desconfiar, por exemplo, do gasto excessivo de sabonete, de lesões cutâneas, da solicitação para os adultos repetirem frases ou responderem a mesma pergunta várias vezes, relutância em sair de casa, exagero de roupas lavadas, medo de doença ou de que algo ruim aconteça, além de coleções de objetos inúteis em demasia ou a preocupação excessiva de manter os brinquedos sempre organizados ou alinhados.

É comum também que haja alteração de humor na criança portadora de TOC, pois ela tende a ficar menos tolerante e mais triste com os acontecimentos do dia a dia. Dificuldade de concentração, queda no aproveitamento escolar e isolamento social também costumam fazer parte desse quadro, mesmo como conseqüências indiretas.

Outro dia, uma paciente me perguntou se a sua filha de 7 anos poderia estar sofrendo de TOC simplesmente porque adorava guardar embalagens de balas e chocolates. A princípio, me pareceu exagero essa preocupação por parte da mãe, mas depois de algumas informações adicionais, me dei conta que a questão não era apenas essa. A filha da minha paciente não só estava guardando um monte de embalagens, como também se recusava a abrir os brinquedos que ganhara na sua última festa de aniversário. Todos os presentes continuavam embrulhados como se estivessem acabado de serem recebidos. Além disso, as embalagens de chocolates que estavam guardadas, já ocupavam mais de quatro grandes gavetas da cômoda e a menina só conseguia se deitar todas as noites depois que contasse cada uma delas. O que mais preocupou a mãe dessa menina foi quando ela foi convidada para ir dormir na casa de uma amiguinha da escola. Ao entrar no quarto da filha, a mãe percebeu que ela tinha arrumado uma mochila com pijama, escova de dentes, etc... e uma outra malinha onde estava colocando todas as embalagens para levar consigo na casa da amiga onde iria passar a noite. De imediato, a mãe se recusou a levar a mala com as embalagens e, como se não bastasse, avisou a filha que no dia seguinte, todas as embalagens seriam jogadas no lixo, inclusive porque podiam estar atraindo baratas para o quarto. A menina ficou desorientada, não foi dormir na casa da amiga e, desde então, não quis mais ir para a escola, pois alegava que precisava ficar tomando conta das embalagens.

Esse caso pode ser um bom exemplo de como o TOC é prejudicial e precisa ser tratado, pois ele traz muito sofrimento e prejuízos ao paciente, como dificuldades sociais, cognitivas e emocionais. No tratamento de pacientes com TOC, é importante a participação de seus familiares, pois suas atitudes são fundamentais para ajudar a melhorar ou agravar o quadro.

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