A identidade das famílias reconstituídas

A família é a única instituição que, durante todo o processo histórico, desde que criada, nunca desapareceu. Entretanto, sua estrutura sofreu grandes alterações.

O número de famílias reconstituídas tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas. Quem não faz parte de uma família desse tipo, certamente conhece de perto alguém que vive essa experiência.

Mas o que são as famílias reconstituídas? São as estruturas familiares formadas a partir de um segundo casamento ou então de novos relacionamentos, envolvendo filhos de uniões anteriores. Nessas famílias, portanto, existe um padrasto ou uma madrasta.

Essa é a nova realidade social, onde os membros pertencem simultaneamente a mais de um grupo familiar. Como cada grupo familiar tem sua própria história, suas próprias regras e uma dinâmica de funcionamento específica, é fácil imaginar que surjam necessidades de adaptações para que haja uma convivência saudável e um funcionamento produtivo dentro de uma família reconstituída.

Por isso, embora essas famílias possuam as mesmas características de qualquer outra, como a socialização dos filhos, a afetividade e a proteção, elas também possuem outras características muito especiais.

Por exemplo, nas famílias reconstituídas surgem novas formas de relacionamento que antes eram inexistentes. Relacionar-se com o marido da mãe pode ser uma grande novidade e é gradualmente que esse vínculo vai se fortalecendo e ficando mais íntimo. A transformação verdadeira dessa pessoa em padrasto é um processo que pode passar por fases de negação e confronto antes da possibilidade de aceitação e de reais trocas afetivas.

Outra característica especial dessas famílias é a duplicação dos laços afetivos. Na família primária, os laços de parentesco e os papéis são bem definidos: o pai é o pai, a mãe é a mãe, o filho é o filho, o avô é o avô e assim por diante. Nas famílias reconstituídas, porém, tais laços são duplicados: existem dois pais, duas mães, meio-irmãos, outros avós, tios e primos. Passa a ser uma tarefa delicada nomear com clareza quem é o pai da madrasta (é o avô?) ou então, quem é o sobrinho do padrasto (é o primo?). Certamente, aos poucos, cada sistema familiar vai encontrando o seu próprio jeito de fazer essa nomeação. De qualquer forma, essa situação demonstra como é difícil existir clareza dos lugares de cada um dentro dessa nova estrutura, ou seja, quais são os direitos e os deveres de seus integrantes. Isso vale tanto para os pais, quanto para os padrastos, filhos ou enteados.

Por esses e outros motivos, cabe ao novo grupo uma importante e delicada tarefa: a de construir sua própria identidade! E é nessa tarefa que está a grande oportunidade de realmente se começar uma nova história e, principalmente, de se ter uma nova chance para ser feliz!

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